16/07/2015

Conselhos do Dê: AUTO MUTILAÇÃO (PARTE II)

Hey Peoples, eu sou o Dê e esse é o meu blog, o Blog Friends!

Bom gente, estou aqui para dar continuidade a postagem sobre AUTO MUTILAÇÃO que comecei a alguns dias com a entrevista com a querida da Angel Moura. Hoje, estarei mostrando mais duas entrevistas que fiz com mais duas pessoas. Uma dessas duas pessoas me pediu para guardar a sua identidade, então será identificada por outro nome. 

E LEMBRANDO, NÃO SE ESQUEÇA DE COMPARTILHAR O POST COM AMIGOS NO FACEBOOK, INSTAGRAM, TWITTER, ORKUTI E ETC, E SE VOCÊ CONHECE ALGUÉM QUE PRATICA A AUTO MUTILAÇÃO, MOSTRE ESSE POST PARA ELE TAMBÉM! QUEM SABE NÃO DÁ UMA GRANDE AJUDA?



A primeira pessoa com quem eu tive um bate papo sobre o tema foi com a Pequena (Nome em que a pessoa decidiu ser chamada, com o propósito de preservar a sua imagem).


Para começar o nosso bate-papo, comecei com a pergunta chave para a Pequena. 

- A quanto tempo você pratica a auto mutilação?
- Comecei em Outubro de 2013, parei em Julho de 2014. Porém até hoje continuo com coisas parecidas, como arranhões e etc.

- E logo em que começou com a auto mutilação, qual era o principal motivo?
- Acredito que por conta dos meus pais. Eles começaram a me tratar como uma adulta, e isso mudou as coisas. Acredito também que por conta do Bullying.

- E como era esse Bullying que você sofria?
- Quando mais nova, eu tinha um problema de pele. E se eu não tratasse, espinhas cresciam de uma forma monstruosa. E eu também tinha alguns problemas nos dentes, então algumas pessoas ficavam rindo de mim. Algumas pessoas até se recusavam a serem minhas amigas. Então eu ficava isolada, sozinha, enquanto todos riam de mim. Era deprimente!

- E como era o seu relacionamento com a sua família nessa época? Logo que tudo começou...
- A minha família sempre teve problemas internos, então eu ficava meio que dividida entre meus tios e meus pais que antes me mimavam muito. Então no meio de tantos problemas, meus pais mudaram o comportamento comigo, começaram a me tratar como adulta, e então brigavam todos os dias comigo por coisas banais. - Então ela continuou. - Eu não conseguia conversar com minha mãe sem sair da conversa chorando.

- Você acha que a falta de diálogo com seus pais influenciaram para a sua auto mutilação? Talvez nem a falta de diálogo, mas também o fato de eles terem lhe dado responsabilidades de adulta em um curto período de tempo e você não tenha conseguido se adaptar da forma como eles desejaram? 
- Sim! 

- E oque você pensa sobre o tempo em que você ainda se cortava? Oque você aprendeu com isso tudo? Oque mudou em você?
- Eu aprendi, com a ajuda de minhas amigas, a me valorizar mais. Percebi que tenho dificuldades de expressar aquilo que estou sentindo, e também aprendi a conversar com minha mãe sem chorar ou brigar. Confesso que as vezes tenho algumas recaídas, afinal, minha auto estima ainda não é muito elevada, mas aprendi que da para sobreviver sem machucados. - e complemente ela. - Eu não seria oque sou hoje, sem momentos turbulentos como 2013 e 2014. A auto mutilação de alguma forma me ajudou.

- E oque você falaria hoje, para as pessoas que ainda se cortam?
- Converse com alguém. Familiar, amigo, qualquer pessoa. Diga a alguém oque está se passando com você. Procure por conselhos. Pois sempre terá alguém no mundo que irá te ajudar.

Conversando com a Pequena, eu percebi que por mais que dificuldades venham na nossa vida, nos temos total autonomia para não deixar com que nos abalem, e para darmos a volta por cima e seguirmos a nossa vida de cabeça erguida. Sem cortes, sem dor e etc.

Agora para dar continuidade ao assunto, decidi acrescentar mais uma entrevista a esse post, mesmo sabendo que ficaria um pouco grande e talvez cansativo para vocês que estão lendo. 
Esse próximo bate papo, foi feito com uma Blogueira amiga minha, Cinthia L. Andrade do Blog 

Thia Firefly Nebula


Para começar o bate papo com a Cinthia, eu fiz a pergunta chave que uso para começar quase todas as conversas sobre o tema.

- Com quantos anos você começou a se cortar?
- Eu tinha treze anos!

- E quantos anos você tem agora?
- Eu tenho dezoito!

- E a quanto tempo você não se corta?
Acredito que um pouco mais de 1 ano e 5 meses. Eu fui parando aos poucos, porém sempre tinha recaídas. Só parei de vez quando comecei a namorar, embora as vezes, eu ainda sinta vontade de me cortar, porém sempre passa.

- Então seu Namorado foi o ponto final nessa história de auto mutilação?
Sim! Eu tinha muitos problemas de auto estima e tudo mais. Eu era gorda, me achava feia, mas na verdade comecei a me cortar por influências.

- Conte-me mais sobre essas influências.
- Então, nessa idade que comecei a me cortar, eu tinha uma amiga, nos éramos muito próximas, e de repente ela começou a se afastar de mim, e se aproximar de uma garota que se cortava, e nisso tudo eu me senti abandonada e comecei a pensar se os cortes tirariam a minha dor, pois se tiravam a dor da menina, também iria tirar a minha. Nas primeiras tentativas não deram certo. A dor não saia. Então eu parei por um longo tempo. Até que eu estava na oitava série eu comecei a gostar de garotos, e esses garotos nunca retribuíam, porque eu era ridícula, e na escola havia meninas lindas. Então eu comecei a me cortar bastante nessa época. Eu já não sentia dor física, só sentia o alívio em minha alma. Essa foi a época em que eu comecei a assistir animes e me focar na cultura japonesa, que tirou um pouco o meu foco dos cortes, sendo assim, menor a frequência com que eu me auto mutilava. Então aos 15 anos, eu parei de vez. Até que um babaca que eu namorava a distância começou a me trair, então a cada traição eram cortes e mais cortes. Então logo que terminei com ele, eu parei mais uma vez.

- E como a sua família reagia com isso tudo? Sobre os seus cortes e etc. Ou eles não sabiam?
Eles não sabiam de nada. No meu quarto tinha ar-condicionado, então eu sempre estava com roupas de mangas longas, ou ficava debaixo das cobertas. E sempre que ia para a escola, eu usava casaco, então as pessoas não sabiam. E quando eu não conseguia esconder com roupas, eu usava maquiagem. Bastante corretivo, base e pó. Ninguém nunca me perguntou nada, mas se perguntassem eu ia dizer que minha cadela me atacou ou algo do gênero.

- E como você se sente com as suas cicatrizes? Como você se sente com o seu passado, com o fato de não se cortar mais.
- As cicatrizes sumiram, eu passei aquela pomada lá, demorou pra sumir mesmo de vez, porém sumiram, mas de pra perceber um pouco! Como me sinto agora? Eu sinto que vivi algo que muitas pessoas vivem, porém eu meio que sabia oque fazer para parar. Então me sinto diferente. 

- E oque você falaria para as pessoas que ainda se cortam?
Diria que não façam isso, pois isso não vai ajudar em nada, só vai piorar as coisas. Sugiro que procurem passar mais tempo com sua família e procurem ajuda de um psicólogo.

- E você tem algo a acrescentar? Sobre tudo que conversamos?
Só pedir que invés de ficar se machucando e se mutilando, se amem mais! Amem a vida! Amem acima de tudo.

Bom, esse foi o meu bate papo com a Cinthia. No final desse bate papo, eu cheguei a conclusão que até no meio das pessoas que se cortam ou já se cortaram existem opiniões diferentes. Alguns, como a Angel dizem que se te fazem bem, continue com os cortes. E alguns, como a Pequena e a ----, falam que não ajuda em nada, e que o melhor que você faz é parar. 

Bem... Esse não foi o último post sobre o assunto, pois está apenas começando! Eu ainda vou postar mais uma entrevista feita por mim, com a Vick Alvez, e também vou postar uma entrevista que encontrei pela Web com a Demi Lovato, uma das maiores influências para as pessoas que se cortam, e após essas duas entrevistas, irei dar meu depoimento pessoal sobre o assunto, minha experiência e etc.